Comprinhas do dia

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Eu que sou louca por roupa e acessórios não consigo resistir a algumas comprinhas. Mas falando em outros tipos de compra, um livro solitário na livraria do shopping me chamou atenção.  Minha Doce Paris: “Sempre obcecada por tudo que vinha da França, Amy Thomas conseguiu uma boquinha tão gostosa quanto o mais puro chocolate amargo: mudar-se de Manhattan para Paris e redigir anúncios publicitários para a Louis Vuitton. Trabalhando na Champs-Élysées, passeando por ruas charmosas e explorando as melhores confeitarias e padarias parisienses, Amy ficou maravilhada com a grandiosidade da Cidade Luz. 

Mas apaixonar-se por uma cidade significa virar as costas para a outra? Por mais que Amy amasse Paris, uma parte dela se sentia como uma gotinha de chocolate em um mar de tradicionais macarons. Minha Doce Paris mostra como a bisca pela felicidade pode ser tão efêmera como o crescimento de um suflê de caramelo salgado e tão tão intensamente prazerosa quanto um bolo de chocolate derretido, e como a vida que deveríamos viver nem sempre tem o sabor que imaginávamos. 

Ao mesmo tempo, declaração de amor à Paris e à Nova York, e devoção total a tudo o que é doce, Minha Doce Paris é um mapa do tesouro para todos os que têm fome de viver. “

E pra quem vai começar as aulas, nada melhor do que já preparar um filme para descansar no próximo final de semana, além de mais um tênis novo que terá papel de amuleto da sorte

Achei também algumas borrachinhas na criativa loja Imaginarium, mais para decorar o meu quarto de estudos. 

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Volta às aulas

 Volta às aulas

Esse início de aula está me afligindo. Nunca senti esse vazio de preocupação. A tranquilidade é tanta que chaga a me enervar. Pera aí! Quem é essa? Enervar, palavra que nunca tinha escrito antes, mas que por algum motivo de inspiração me aparece entre as linhas do caderno para canhotos. 

Já até sei como vai ser. Vou chegar com cara de aluna nova, olhar para todos os lados e não encontrar ninguém já que costumo chegar mais cedo do que todos no primeiro dia – só no primeiro – . Serei obrigada a me dirigir para a lista das turmas e saber quem vai fazer parte dos meus altos e baixos durante os nove meses de aulas que são mesmo bem parecidos com os nove meses de uma gravidez. 

Para esta etapa em especial me reservaram uma dúvida que foi cultivada com muito carinho. A grande questão é a proximidade da outra metade do meu sistema nervoso. Se acontecer de emprestarmos o marcador de texto às segundas e quartas, quem sabe durante o ano não acontece de um reconhecer o outro. Quem sabe não sentem necessidade de compartilhar as mesmas informações. Isso seria simplesmente a garantia do dez mais precioso dos meus nove anos de estudos. Seria um passo a menos para a genialidade. 

Só Deus para me ajudar, e nesse caso, Deus pode muito bem ser representado por uma senhora chamada Edna e um ex-padre batizado como Bacchim. Não me deixe esquecer do Frei Jesus. Que Jesus me ajude! Enfm, sem mais enrolação. Só quero esclarecer, “Sistema nervoso e parte do cérebro de Manuela estão desaparecidos. Para quem encontrá-los, a recompensa é de um título de cupido.” 

Matala

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Isso é Matala, isso são outros olhos, outras trilhas. Se arrisca nessa aventura, nesse cenário tão distinto, mas tão perto da realidade?

Os hippies dormiam como trogloditas nas cavernas de arenito que retalham o paredão rochosos à beira-mar, sem ligar para o fato de elas terem originalmente servido como tumbas romanas no século I. 

Grandes Viagens

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Começo a postar hoje espetaculares rotas do mundo. “Você já sonhou em fazer uma viagem em que a jornada é tão prazerosa quanto o destino final? […] rotas espetaculares de trilhas antigas, como Machu Picchu, às clássicas modernas, como a Rota 66.”

Viajar é como criar um casco, aumentar o equilíbrio, aprender a levantar. É aprender a enxergar, a dar valor, aprender a se adaptar, a se encantar. A viajem te leva para um grande mundo diferente do seu.  Você cria história, cria lembranças, momentos e descobre o seu universo. Existem tantas cores do lado de fora que te fazem rejeitar seus pensamentos diários. Viajar é sair  de uma mala onde não existem outras pessoas além de você, onde as coisas parecem estar completamente organizadas, todas nos seus devidos lugares. Esse é o olhar do viajante. Incapaz de bocejar ou de acordar em outros pensamentos. Ele da bom dia aos dias e se despede a cada passo. Não precisa de um mapa, um guia, precisa do coração. Esse sim é um grande aventureiro. A arte faz parte disso, a música. Cria quadros a cada suspiro, cria estradas a cada sorriso. Não há quem rejeite um viajante com aquele seu jeito de extraterrestre. O que será que ele faz por aqui? Ele apenas sonha, sonha com grandes curvas, estreitas linhas e intensas cores.

A menina quebrada

Uma carta para Catarina, que descobriu que até as crianças quebram

Era uma festa. Comemorávamos a vinda de um bebê que ainda morava na barriga da mãe. Eu havia acabado de segurá-la para que ela passasse a pequena mão na água da fonte do jardim. Ela tentava colocar o dedo gorducho no buraco para que a água se espalhasse, como tinha visto uma criança mais velha fazer. Parecia encantada com a possibilidade de controlar a água. Tem 1 ano e oito meses, cabelos cacheados que lhe dão uma aparência de anjo barroco e uns olhos arregalados. Com olheiras, Catarina é um bebê com olheiras, embora durma bem e muito. De repente, ela enrijeceu o corpo e deu um grito: “A menina…. A menina…. Quebrou”.  

Era um grito de horror. O primeiro que eu ouvia dela. Animação, manha, dor física, tudo isso eu já tinha ouvido de sua boca bonita. Aquele era um grito diferente. Não parecia um tom que se pudesse esperar de alguém que ainda precisava se esforçar para falar frases completas. Catarina estava aterrorizada. “A menina… A menina…” Ela continuava repetindo. Olhei para os lados e demorei um pouco a enxergar o que ela tinha visto em meio à tanta gente. Uma garota, de uns 10, 12 anos, talvez, com uma perna engessada. “Quebrou…” Catarina repetia. “A menina… quebrou.” 

Ela não olhava para mim, como costuma fazer quando espera que eu esclareça alguma novidade do mundo. Era mais uma denúncia. Pelo resto da festa, ela gritou a mesma frase, no mesmo tom aterrorizado, sempre que a menina quebrada passava por perto. Nos aproximamos da garota, para que Catarina pudesse ver que ela parecia bem, e que os amigos se divertiam escrevendo e desenhando coisas no gesso, mas nada parecia diminuir o seu horror. Os adultos próximos tentaram explicar a ela que era algo passageiro. Mas ela não acreditava. Naquele sábado de janeiro Catarina descobriu que as pessoas quebravam.  

Eu a peguei, olhei bem para ela, olho no olho, e tentei usar minha suposta credibilidade de madrinha: “A menina caiu, a perna quebrou, agora a perna está colando, e depois ela vai voltar a ser como antes”. Catarina me olhou com os olhos escancarados, e eu tive a certeza de que ela não acreditava. Ficamos nos encarando, em silêncio, e ela deve ter visto um pouco de vergonha no assoalho dos meus olhos. Era a primeira vez que eu mentia pra ela. E dali em diante, ela talvez intuísse, as mentiras não cessariam. Naquela noite, depois da festa, fui dormir envergonhada.  

O que eu poderia dizer a você, Catarina? A verdade? A verdade você já sabia, você tinha acabado de descobrir. As pessoas quebram. Até as meninas quebram. E, se as meninas quebram, você também pode quebrar. E vai, Catarina. Vai quebrar. Talvez não a perna, mas outras partes de você. Membros invisíveis podem fraturar em tantos pedaços quanto uma perna ou um braço. E doer muito mais. E doem mais quando são outros que quebram você, às vezes pelas suas costas, em outras fazendo um afago, em geral contando mentiras ou inventando verdades. Gente cheia de medo, Catarina, que tem tanto pavor de quebrar, que quebram outros para manter a ilusão de que são indestrutíveis e podem controlar o curso da vida. E dão nomes mais palatáveis para a inveja e para o ódio que os queima. Mas à noite, Catarina, à noite, eles sabem. 

E, Catarina, você tem toda a razão de duvidar. Depois de quebrar, nunca mais voltamos a ser como antes. Haverá sempre uma marca que será tão você quanto o tanto de você que ainda não quebrou. Viver, Catarina, é rearranjar nossos cacos e dar sentido aos nossos pedaços, os novos e os velhos, já que não existe a possibilidade de colar o que foi quebrado e continuar como era antes. E isso é mais difícil do que aprender a andar e a falar. Isso é mais difícil do que qualquer uma das grandes aventuras contadas em livros e filmes. Isso é mais difícil do que qualquer outra coisa que você fará.  

Existe gente, Catarina, que não consegue dar sentido, ou acha que os farelos de sentido que consegue escavar das pedras são insuficientes para justificar uma vida humana, e quebra. Quebra por inteiro. Estes você precisa respeitar, porque sofrem de delicadeza. E existe gente, Catarina, que só é capaz de dar um sentido bem pequenino, um sentido de papel, que pode ser derrubado mesmo com uma brisa. E essa brisa, Catarina, não pode ser soprada pela sua boca. Ser forte, Catarina, não é quebrar os outros, mas saber-se quebrado. É ser capaz de cuidar de seus barcos de papel – e também dos barcos dos outros – não como uma criança que os imagina poderosos, de aço. Mas sabendo que são de papel e que podem afundar de repente. 

Não, acho que eu não poderia ter dito isso a você, Catarina. Não naquela noite, não agora. Ao lhe assegurar, cheia de autoridade de adulto, que tudo estava bem com a menina quebrada, com qualquer e com todas as meninas quebradas, o que eu dei a você foi um vislumbre da minha abissal fragilidade. Esta, Catarina, é uma verdade entre as tantas mentiras que lhe contei, ao tentar fazer com que acreditasse que eu seria capaz de proteger você. Vai chegar um momento, se é que já não houve, em que você vai olhar para todos nós, seus pais, seus “dindos”, seus avós e tios, e vai perceber que nós todos vivemos em cacos. E eu espero que você possa nos amar mais por isso.  

Essa conversa, Catarina, está apenas adiada. Talvez, daqui a alguns anos, você precise me perguntar como se faz para viver quebrada. Ou por que vale a pena viver, mesmo se sabendo quebrada. E eu vou lhe contar uma história. Ela aconteceu alguns dias depois daquela festa em que você descobriu que até as meninas quebram. Nós estávamos na fila do caixa do supermercado perto de casa, com uma cesta cheia de compras, e havia um homem atrás de nós. Era um homem vestido com roupas velhas e sujas, parte delas quase farrapos. E ele cheirava mal. Poderia ser alguém que dorme na rua, ou alguém que se perdeu na rua por uns tempos. Ficamos com medo de que o segurança do supermercado tentasse tirá-lo dali, ou que a caixa o tratasse com rispidez, ou que as outras pessoas na fila começassem a demonstrar seu desconforto, como sabemos que acontece e que jamais poderia acontecer. Enquanto pensávamos nisso, ele nos abordou. E pediu, com toda a educação, mas com os olhos dolorosamente baixos: “Por favor, será que eu poderia passar na frente, porque tenho pouca coisa?”.  

Quando lhe demos passagem, vimos que o homem não tinha pouca coisa. Ele só tinha uma. Sabe o que era, Catarina?  

Um sabonete. Era o que havia entre as mãos de unhas compridas e sujas, junto com algumas moedas e notas amassadas, como em geral são as notas que valem pouco. Aquele homem, que parecia ter perdido quase tudo, aquele homem talvez ainda mais quebrado que a maioria, porque tinha perdido também a possibilidade de esconder suas fraturas, o que ele fez? Quando conseguiu juntar uns trocados, o que ele escolheu comprar? Um sabonete. 

Catarina, talvez um dia, daqui a alguns anos, você volte a me olhar nos olhos e a dizer: “A menina… quebrou”. Ou: “Eu… quebrei”. E talvez você me pergunte como continuar ou por que continuar, mesmo quebrada. E eu vou poder lhe dizer, Catarina, pelo menos uma verdade: “Por causa do sabonete”. 

ELIANE BRUM

Anônima

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Essa é a história de uma menina na qual tem medo de altura. Gosta de observar a vista do Cristo Redentor e de se debruçar na janela de seu apartamento no 28o andar, mas que tem medo de que tudo o que está abaixo dela não se encaixe: amigos, colegas, sonhos, caminhos, trabalhos, textos, músicas…

Não precisa de ajuda, se diverte sozinha, estuda sozinha, teme sozinha, conversa sozinha… Com seu outro mundo, um mundo igualzinho ao dela, mas com uma única diferença: ELA MESMA. Ela se cria, se fantasia, se constrói do jeito que gostaria de ser, cheia de qualidades, mas principalmente de defeitos. A única coisa que considera superior a ela são os filmes, aqueles filmes que não tem nada a ver com a realidade, com o que vemos por aí, mas que tem a ver com o mundo dela, aquele com o qual conversa sem parar.

Adora enfrentar desafios, adora perder, adora ter pesadelos. Adora estar interessada, é extremamente conservada e acha sempre uma solução. Não para de buscar notícias novas para levar ao seu mundo real.

Está sempre tranquila, não pressiona ninguém a contar segredos, espera o quanto for preciso. Todos a acham diferente, estranham por não parecer curiosa ou obcecada por uma fofoca.

Essa menina eu não conheço pessoalmente, nunca tive a oportunidade de conhecer, nunca ninguém a adicionou no Facebook, Twitter ou Orkut. Nunca ninguém comentou sobre sua existência e de como ela é convencida ou especial. Também nunca me perguntaram quem ela pode ser. Eu só a conheço desse jeito, me ligando ao meu mundo, aquele mundo igualzinho ao real, mas com uma única diferença: EU MESMA. Até que ela não é muito diferente de mim.

Comprinhas do dia

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Faltam poucos dias para o início das aulas e dessa vez vou mudar um pouco o meu visual. Sempre fui muito séria e sempre usei mochilas lisas e tênis bem sem graça, bonitos, mas sem graça. Os caderninhos são bem coloridos, bem diferentes de todos que eu já usei.

Falando em estudar, algum domingo desses eu vi Domingão do Faustão e um menininho resolveu aquele cubo mágico em apenas alguns segundos. Me deu muita vontade de tentar resolver. Claro, diferente do menino eu resolveria em muitas horas, isso se eu resolvesse. Bom, não custa tentar. Procurei esse cubo em todas as lojas de brinquedos, papelarias e livrarias que existem na Zona Sul, desde Leblon até Gávea. Por fim, encontrei esse tal cubo em uma lojinha de brinquedos já no final de Ipanema. Era o último da loja, ele simplesmente estava esperando por mim! Quando conseguir resolver eu conto aqui pra vocês, só não garanto a fórmula mágica. É como diz na caixa, “Um desafio de embaralhar a cabeça”. E ainda por cima vem escrito CRIANÇAS. Como pode? “O quebra-cabeça estratégico mais vendido do mundo continua a desafiar jovens e adultos ao redor do globo! Com mais de 43 quintilhões de combinações possíveis, o cubo pode ser incrivelmente resolvido com apenas alguns movimentos. É a ação de girar e o simples conceito de cores que faz de Rubik’s o n 1 entre os jogos de quebra-cabeça do mundo!”. Pois é, veremos!

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Enquanto escrevo estou ouvindo o novo CD que comprei, o Maroom 5 OVEREXPOSED. Recomendado!

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Ipanema

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O sinal fica vermelho e duas figuras já adultas esperam para atravessar. 

– Você trabalharia como fiscal?

-Que tipo de fiscal?

-Um espião.

-Claro que sim, trabalharia. 

Os dois somem diante das dezenas de pessoas que atravessavam a rua.

-Achiiiiiiiim!!!

Pulo de susto, mamãe me empurra quase pisando no rabo do Poodle que late tal como um Pastor Alemão.

-Saúde – digo gritando.

Olhares que vem de todas as direções me respondem em uma linguagem um pouco intimidante.

-ME DESCULPEM HUMANOS, eu não pertenço a esse mundo.