Prometa

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Só me prometa uma coisa. Algumas vezes, quando se esquecer da verdadeira realidade, abra o seu coração em uma página qualquer e procure palavras. Nada é certo, mas não encontrará o que procuras. O que terás serão frases construídas pelo amor, pela união, pela cumplicidade, amizade, sorrisos, carinhos, trocas e o que mais precisar. Então leia, leia apenas um, um que seja, apenas um espaço entre pontos que estará cheio, completo, já criado. Não precisará mais voltar para a realidade, pois a fantasia já aconteceu. Talvez te pareça familiar o que preenche o espaço, talvez te pareça familiar quem o preencheu. Não foi apenas um ou dois passarinhos se você achou que iam ser. Foram centenas deles que ajudaram a plantar, cultivar, semear e colher tudo o que precisa ser lembrado ou talvez contado pela primeira vez. Sim, sempre será a primeira vez, mesmo a segunda, a terceira, a vigésima será a primeira vez. Cada olhar será  como o primeiro, cada sorriso… Mas e então, porque repetir se podemos renovar, criar, nos divertir em cima de tudo que já aconteceu? Sabe o que percebi? Que já realizamos essa tarefa e por isso chegamos nesse grande resultado que não tem o que mudar, a não ser que siga o caminho errado, que vá para onde não deve ir. Porque a única coisa no mundo que não tem o que mudar é a nossa primeira vez.

E sabe do que mais? A cada dia, essa saudade do mar vem me ensinando o quanto somos subordinados a natureza, o quanto de nós mesmos podemos  encontrar naquilo que nem mesmo conhecemos ou imaginamos conhecer. Você por exemplo, preocupado, carinhoso, honesto, humilde por dentro. Por fora, essa força, essa luta, agitado e longe do silêncio e da calma. Tal como as ondas, aquelas límpidas ondas das quais estamos tão longe. Aquelas águas nas quais podemos confiar, mas que sem perceber somos levados para longe, pela força e pelo caminho que as águas tem de seguir. É assim que eu me sinto, longe do mar, longe de você.

Abra seu coração em uma página qualquer e lembre-se: eu te amo.

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Lui et la mer – parte 1

Ele

– É ela?

-Não tenho certeza.

-É ela?

-Não.

-Talvez esta daqui?

-Nada.

-Que tal aquela sentada no chão com as pernas cruzadas? Parece sorrir, mas não tenho certeza quanto sua felicidade, seus olhos parecem estar tristes.

-Como sabe? Deve está apenas observando a movimentação. Não consigo ver nada em seus olhos, muito menos em seu sorriso. Onde? Não vejo nada!

-Você pode esconder muitas coisas atrás de um sorriso, mas nunca de um olhar. Impossível não enxergar… Olha aqueles lábios carnudos, cabelos ondulados que descem pelos seus ombros e realçam seu tom de pele. Observe a luz que reflete no negro dos fios.

O outro não responde e os dois a observam pelo resto do dia. Ele a vê iluminada, o outro não tem olhos para enxergar tal beleza.

Passados meses, Ele, sentado observando o mar, associa as ondas aos cabelos de Ela, o avanço da maré aos seus lábios e a cor esverdeada ao seu tom de pele.

 Ela

-Que lindo este mar! À minha frente tem o mundo… aqui posso me ligar a ele. Aqui é meu lugar. Essa areia áspera, esse mar turbulento, mas e essas cores pastéis? Que lindo…

O mar parecia falar com Ela, Ela parecia falar com o mar, mas e o resto do mundo?

-À minha frente! Bem à minha frente! Eu estou encarando o mundo pacificamente! Como nunca percebi? Isso me lembra o amor. Leva tempos para perceber e distâncias para conhecer… Podemos nunca nos encontrar! Impossível! Aguentei textura, aguentei umidade, mas nunca percebi o porque de estar mudando. Agora eu sinto! Estou apaixonada pelo mar.

A maré aumentou, mas Ela não ligou. Ficou onde estava, queria agora que o mar chegasse até ela e não que ela alcançasse o mar.

O sol se pôs, as nuvens chegaram, a chuva até já passou, mas Ela continua lá, estática, imóvel, com um sorriso discreto e um olhar triste. O sorriso à proximidade e o olhar à distância.

-Onde está Ele?

-Será que tão longe daqui?

-À frente?

-Ao meu lado?

-Olhando minhas ondas! Quem sabe…

-É, ele deve saber onde estou.