Só Hoje

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Há exatos 365 dias, eu imaginava hoje ainda poder te abraçar e lhe devolver um sorriso. Infelizmente as coisas não aconteceram exatamente como eu esperava. “Hoje, preciso de você, com qualquer humor, com qualquer sorriso. Hoje, só tua presença, vai me deixar feliz… Só hoje!”
Há exatos 12 meses, eu ouvia você suspirar e dizer que eu sou o causador da tua insônia, da sua tristeza. O amor estava presente, as lágrimas começaram a escorrer pelos seus olhos. E eu te abracei e não permiti que fosse um abraço tão demorado, já que eu sabia que seria quase impossível me desgrudar de você se ficássemos ali por mais alguns segundos. 
Se você me fez sentir alegria, se eu fiz algo de errado, se você não quis mais, serão apenas lembranças. Só hoje posso perceber o quão abstrata é nossa distância. Sendo assim, “Hoje eu preciso ouvir qualquer palavra tua, qualquer frase exagerada que me faça sentir alegria em estar vivo…”. 
Há exato 1 ano eu preciso de você, com qualquer humor, com qualquer sorriso. “Hoje eu preciso te encontrar de qualquer jeito, nem que seja só pra te levar pra casa depois de um dia normal. Olhar teus olhos de promessas fáceis e te beijar a boca de um jeito que te faça rir, que te faça rir. Hoje eu preciso te abraçar, sentir teu cheiro de roupa limpa, pra esquecer os meus anseios e dormir em paz.”
Se eu contei os dias pra você voltar e você não voltou, se eu te esperei sentada na esperança de que nos próximos minutos você chegasse, hoje eu não conto mais, não vou esperar, porque hoje eu preciso de você.
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Maria, Maria

Não se pode discordar que aquele sentimentalismo todo que dizem pertencer às mulheres é o que faz a vida acontecer.
Se não é da mulher que surge o equilíbrio, o bom senso e ousadia, já não se pode indicar outra espécie de mediador do homem com o Deus interior de cada um de nós.
Sabe-se da fraqueza feminina, se apresenta a guerreira. Fala-se das que envelheceram, apresentam-se marcas de sabedoria. E dentre as que permanecem caladas, vocês hão de convir, existem as mais surpreendentes figuras femininas. E me diga mais uma, mais uma centena de razões para se orgulhar de ser mulher.
Eis que um dia nós surgimos na Terra, fomos amadas, fizemos do amor uma grande razão para viver.
Parabéns a todas as que já foram, são e ainda serão orgulhosas mulheres, o mais alto cargo na grande indústria de emoções que é a humanidade. Um grito de Vitória, afinal somos todas Marias!

Retratos da infância

Naquela época, eu era apenas um leitor de O Pequeno Príncipe. Meus fios de cabelo mudavam de cor, a voz distoante.

Sonhava com o mundo que o livro me trazia, já que não se podia vivê-lo. O que será? Pouca leitura? Deve ser por isso que o final das histórias desse livro em que vivo fogem da originalidade. 

E eu lia e relia trechos de Antoine de Saint-Exupéry. “Há milhões e milhões de anos que as flores produzem espinhos. Há milhões e milhões de anos que, apesar disso, os carneiros comem. E não será importante procurar saber por que elas perdem tanto tempo produzindo espinhos inúteis?”

E era um desejo infinito de entender as flores e os carneiros. Naquela época, eu tinha espinhos e não sabia. E se haviam espinhos, já haviam carneiros. Se carneiros haviam, fazíamos parte de um mundo onde histórias escritas não era revelação a nenhum leitor. Não era seguro, não era efêmero. Era fantasia para um pequeno leitor de um grande livro. “Livro de criança? Com certeza. Livro de adulto também, pois todo homem traz dentro de si o menino que foi. […] O Pequeno Príncipe devolve a cada um o mistério da infância. De repente retornam os sonhos.”

Andorinhas do seu olhar

Eu estava do lado da janela sentada olhando através dos vidros escuros as andorinhas voando ansiosas e desorientadas e de repente, o som arranhado que o giz fazia no quadro me levou de volta às explicações incoerentes que só embaralhavam ainda mais os meus pensamentos. Os números se transformavam em novas andorinhas ainda ansiosas e desorientadas. Mas dessa vez eu estava entregue às lembranças. Ele não gostava que eu me sentasse sozinha, inquieta e pensativa. Me mostre seu sorriso! Mas dessa vez eu estava ali sentada sozinha, inquieta e pensativa e ele viu e não falou nada.

Ele queria que eu fosse até ele, mas eu falei que não. Sabia que ele queria que eu fosse até ele. Mas insisti a mim mesma que não. Ele sorriu desviando seu rosto e eu também sorri. E então ele queria me olhar mais uma vez e saiu dos pensamentos, voltou à aula. Eu estava sozinha, inquieta e ele não falou nada.

Enxerguei-o conversando com a outra que apenas balançou a cabeça e agora eles estavam rindo juntos, assim, um do outro. As andorinhas voando lá fora.

Eu estava olhando para as tantas andorinhas. Nós agíamos como duas, ansiosas e desorientadas.

Vendo minha distração, a professora que também parecida desorientada aos meus olhos, pediu a mim que lesse os dois últimos períodos de um texto que nem eu nem ele acompanhávamos, tenho certeza.

“Você não pode calcular o tanto que eu gosto de você. Eu gosto demais de você, demais, demais.”

Fechei os olhos, respirei fundo e olhei novamente em sua direção. Nada de olhares. Ele me respondeu com um sorriso e lá estava eu a me perder novamente com as andorinhas voando ansiosas e desorientadas.

Romeo & Juliet

“Quem é aquela dama, que dá a mão ao cavalheiro agora? Ah, ela ensina as luzes a brilhar! Parece pender da face da noite como um brinco precioso da orelha de um etíope! Ela é bela demais pra ser amada e pura demais pra esse mundo! Como uma pomba branca entre corvos, ela surge em meio às amigas. Ao final da dança, tentarei tocar sua mão, pra assim purificar a minha. Meu coração amou até agora? Não, juram meus olhos. Até esta noite eu não conhecia a verdadeira beleza.”

Romeo e Julieta

A Caveira é um símbolo antigo para representar a mudança. Mais especificamente, uma grande mudança na vida, associada com a morte, que é a maior mudança de todas. A caveira significa transformação, novo ciclo. Em algumas culturas também significa poder, força ou um símbolo de invencibilidade ou perigo. Mostra que todos somos iguais por dentro, não temos cor, sexo, classe social ou preferências.

Vendo o vídeo me lembrei de um desenho que fiz baseado em uma imagem que encontrei. O desenho representa o amor entre os pássaros e por isso, adicionei à imagem um coração preto e branco. 

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Décadas da minha vida

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Já sou um homem experiente, confesso. Tenho mulher, dois filhos e muita felicidade para morar no meu coração. 
Hoje completo cinquenta primaveras e junto a elas me veio a esperança de um dia poder voltar no passado e reviver as flores que me fizeram ser o homem que sou. Enquanto não encontro maneira de voltar no tempo, vou sempre lembrar e vive-los assim, no pensamento. A lembrança agora voltou para me buscar, uma estranha forma de entender o tempo. Foi então um tão primoroso dia que trouxe à minha família o Tempo em forma e cor. Florido e perfumado era ele, girava e passava por nós como uma leve brisa. Veio comemorar a chegada da década tão bonita que se instalou nos olhos de uma menina ainda ingênua e colorida. A vimos aprender a alcançar desejos, a realizar. O dia foi de tal alegria que marcou na memória como nenhum outro dia. 
Tê-la sorrindo para o mundo e começando a realmente perceber em que consiste a vida é algo indescritível.
Sentados no sofá da sala, entregamos a ela um relógio. A interação com o mundo exige responsabilidade e crítica, exige o tempo. Seus ponteiros ainda estáticos pediam ao tempo para que os trouxesse à vida.  
Um relógio então, descansa na mesa de quarto de uma menina crescida, já mulher, na qual viveu e se fez viver a passagem do tempo, a década que transformou a infância para o que chamamos de viver. Seus cabelos tornaram-se grisalhos, seus cachos perdidos pelo resto dos fios. O que não perdeu a vida foram seus olhos que ainda brilham como rubis. Ali dentro ainda existia a alma e a mágica de viver com o tempo.  
Como eu queria ainda viver! 

Sem título

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Existem momentos na vida em que você vira refém dos seus desejos e mesmo sem ter tempo de pensar em fatos banais, você se pega olhando pro passado e tentando consertar a si próprio. E isso não tem idade nem endereço, é simplesmente humano, sem explicações. Não é novidade o dia-a-dia não ter explicações. 

Você quer ser astronauta, mas tem medo de altura. Quer viver perigosamente, mas é extremamente bom com números. Quer ser livre, mas simplesmente não corresponde ao biotipo necessário para seguir na vida. 

Se um dia você tiver vontade de voltar ao destino de dez anos atrás e não souber como,  sempre vai ter alguém do seu lado. Você não sabe quem é e tem medo de escolher errado, de ser enganado, mas eu te mostro como. Eu sou o destino e você não acredita em mim, mas simplesmente não tem escolha. Você da os seus passos e eu te empurro como esse vento constante que sopra lá fora. E vou ser o que vai te salvar e depois de tudo não ser reconhecido. Parabéns pela sua coragem, você seguiu sozinho e virou astronauta, seguiu sozinho e foi liberto. Eu só peço que algum dia você perceba que eu salvei a sua vida há dez anos atrás e que correr sozinho é impossível, que as escolhas foram extremamente calculadas pelo aventureiro, temidas pelo astronauta e libertas pelo cara de trás das grades. 

Ponto final

As horas passam e com o passar das horas eu sei onde você deve estar. Não sei o que está fazendo, no que está pensando nem com quem está conversando. E com o passar das horas percebo também que não é o suficiente. Mereço mais do que isso. Já abri todas as cartas que você teria de ter recebido. Ainda não coloquei os pontos finais e os parênteses que faltam para lhe explicar alguns poucos detalhes que deixou aqui comigo. Pra mim chega de cartas, eu quero abraços. E por mais que eu não saiba a continuação dessa história mais sem conteúdo eu continuo tentando planejar. 

As minhas cartas podem esclarecer alguns questionamentos, algumas noites sem dormir, mas não podem me trazer suas palavras. Elas são minhas e ponto final. E acaba aí. Mas eu quero mais, eu quero reticências. Eu quero brincar com você como eu brinco com as palavras, quero sentir o cheiro do seu perfume na folha em branco. Preciso de você pra continuar. Você pode até me dizer adeus mais uma vez, mas não existe adeus que nos torne distante, pelo menos não agora. Nos veremos em breve, em uma segunda-feira de manhã.

Inspiração:

“Não faço idéia de onde está no mundo. Mas sei que perdi o direito de saber há muito tempo. Não importa quantos anos se passem, sei que uma coisa continuará verdadeira como sempre: nos vemos em breve.”

Dear John

Loucuras no shopping

No meio daquelas tentações, o que me atraiu foram as estantes “Fotografia”. Livros imensos e recheados de imagens que nos levam a criar novas imagens e então viajar em um mundo que só quem é apaixonado por essa arte conhece. Eu e mais duas amigas nos divertíamos diante das imagens e palavras e então, não mais do que de repente vejo uma mulher vestida de forma simples conversar com uma das minhas amigas, uma menina alta, bonita e muito bem articulada. Estranhando a conversa das duas, olhei para minha outra amiga que me respondeu com alguma outra careta. Me aproximei para entender o assunto e foi só a mulher me ver para perguntar algo um tanto absurdo e fora de contexto.

-Ah, ela é sua filha? 

Reagimos abaixando as sobrancelhas, fechando os olhos e talvez deitando um pouco a cabeça como quem não entende.

-Não! Sua irmã – ela tenta concertar.

E essa foi o fato desconcertante que eu e mais duas amigas vivenciamos em uma livraria do Rio de Janeiro, em uma quarta feira de despedida das férias. Nada como momentos assim para lembrar no futuro.