Retratos da infância

Naquela época, eu era apenas um leitor de O Pequeno Príncipe. Meus fios de cabelo mudavam de cor, a voz distoante.

Sonhava com o mundo que o livro me trazia, já que não se podia vivê-lo. O que será? Pouca leitura? Deve ser por isso que o final das histórias desse livro em que vivo fogem da originalidade. 

E eu lia e relia trechos de Antoine de Saint-Exupéry. “Há milhões e milhões de anos que as flores produzem espinhos. Há milhões e milhões de anos que, apesar disso, os carneiros comem. E não será importante procurar saber por que elas perdem tanto tempo produzindo espinhos inúteis?”

E era um desejo infinito de entender as flores e os carneiros. Naquela época, eu tinha espinhos e não sabia. E se haviam espinhos, já haviam carneiros. Se carneiros haviam, fazíamos parte de um mundo onde histórias escritas não era revelação a nenhum leitor. Não era seguro, não era efêmero. Era fantasia para um pequeno leitor de um grande livro. “Livro de criança? Com certeza. Livro de adulto também, pois todo homem traz dentro de si o menino que foi. […] O Pequeno Príncipe devolve a cada um o mistério da infância. De repente retornam os sonhos.”

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