Estante

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Antes mesmo de começar a escrever, estava passando os olhos pela estante do meu quarto, vendo se tinha alguma inspiração. E não é que deu certo? Achei um livro que li quando tinha por volta de oito anos de idade. Apesar de fininho, seu nome me chamou atenção, “Falando Sozinha”. Achei bem adequado ao blog que é exatamente isso, uma forma de falar sozinha. 

Folhei o livro e passei os olhos por algumas frases, alguns pontos de interrogação. Por acaso, me identifiquei muito com a página 21. Me vieram algumas recordações de quando criança, algumas  recordações recentes. Assim dizia:

“[…] Nós deixamos o número do nosso telefone, agradecemos, dissemos tchau e fomos almoçar. 

Minha mãe perguntou onde eu queria almoçar. Eu disse “no Mac” mesmo sabendo que ela não ia topar, porque ela sempre diz que lanche não é almoço. Mas ela topou. Ela percebeu que eu estava triste e queria me deixar contente. Minha mãe é mesmo superlegal. Agarrei no pescoço dela e dei um beijo na bochecha. 

Tinha um Mac bem pertinho, e nós fomos a pé, abraçadas. Só falei coisas alegres para ela não ficar preocupada comigo. Ela perguntou se eu queria ir no cinema. Eu disse que estava muito frio e que nós poderíamos ficar vendo vídeo em casa. 

Escolhi a fita do menino-lobo. E ela escolheu uma fita de amor. O galã do filme parecia um pouco com papai. Já reparei que ela adora assistir filmes com esse ator que se parece com o nosso pai. 

A coceirinha nos meus olhos está cada dia de um jeito diferente. Às vezes coça mais, outras vezes, menos. Quando está coçando muito, eu vou lá para fora, brincar com os outros bichos. Não é bem brincar. Eu fico lá quietinha, passando a mão no pêlo dos cachorros, deixando o Marajó morder minha mão e espiando os olhos arregalados da tartaruga. Só isso já me deixa um pouco mais feliz. 

O dia em que a coceirinha mais diminuiu foi quando a Ana ligou e disse que o bodinho estava adorando seus parentes. E que já tinha um nome: Luís.

Agora eu tenho mais alguém para sentir saudades: o Luís. Por falar em saudade, eu vou terminando. 

Está me dando saudade de vocês, do papai (da mãe de vocês) e do Luís. 

Tchau, um beijo.

Isósceles”

Uma menina que mora em São Paulo e que se comunica com os irmãos que moram no Rio através de cartas. A história pouco se parece com a minha. Não tenho irmãos, não sou muito apegada a animais, muito menos tenho algum em casa, mas todos, sem exceção, todos os elementos do pequeno trecho de um livro perdido em minha estante tem alguma relação com momentos de alguns anos passados. E você? Já achou algum livro em alguma estante que se parece com você, assim, muito? 

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